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Projeto Luminotécnico: O que considerar ao fazer um?

Data: 30 / 01 / 2018 Engenharia e Arquitetura

O acirrado mercado da construção civil demanda dos profissionais de arquitetura uma constante busca por especialização. E um caminho obrigatório para se diferenciar nesse contexto é qualificar-se, sobretudo, nas tendências e práticas mais modernas do mercado, a exemplo do desenvolvimento de projeto luminotécnico.

O Professor do curso de Master em Arquitetura e Lighting da PRAEVI|IPOG, Daniel Feldman, que também é Mestre e Doutor em Arquitetura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, esclarece que o assunto iluminação está dentro de grandes áreas, como Engenharia, Arquitetura e Design de Interiores. "Ela é parte de um todo muito maior. Quem trabalha nessa área e é apaixonado por iluminação sabe que luz faz muita diferença em um projeto e que pode valorizar bastante aquele ambiente iluminado, como pode também descaracterizá-lo", ressalta.

Para compreender melhor isso na prática, o professor menciona algumas das vantagens de se investir em um projeto luminotécnico:

  • Agrega valor ao imóvel: seja em uma residência ou ambiente comercial, ao estruturar um projeto luminotécnico adequado é possível atribuir valor ao espaço, potencializando e valorizando o que há de melhor nele.
  • Melhora a experiência de quem circula nele: independente do espaço, ao adequar a iluminação ao uso dele a experiência fica mais personalizada e confortável a quem passa pelo ambiente.

Contratar arquiteto ou uma empresa?

Mesmo ciente da necessidade de estruturar um projeto luminotécnico, na hora de fazer o planejamento da iluminação de uma casa, surge então a dúvida sobre recorrer a um arquiteto ou uma empresa.

Muitas pessoas têm receio em contratar arquitetos achando que não são viáveis e acabam buscando uma empresa especializada em iluminação. Mas é essencial esclarecer o cliente que projetos dessa natureza, além de bem eficazes, promovem economia, praticidade e sustentabilidade.

Como iniciar um projeto luminotécnico

A falta de conhecimento técnico é o principal empecilho que leva profissionais a não chegarem ao resultado esperado (tanto por ele, mas principalmente pelo cliente). Nesse sentido, há aspectos que não podem ser ignorados. Basta um só fator que pode comprometer toda a qualidade do serviço.

O primeiro passo é verificar qual a necessidade das pessoas que moram ou vão morar no local.

A iluminação é tão importante que pode influenciar no bem-estar e na saúde de todos que ali convivem. É necessário verificar quais as atividades serão realizadas em cada cômodo para adequar os tipos de luzes para cada ambiente. Para saber como é isso na prática, Feldman enumera quatro pilares essenciais que o profissional precisa passar para prestar um serviço de qualidade:

  1. Estudo preliminar: nesse momento é essencial ter uma conversa com o cliente para entender as necessidades e quais expectativas ele possui no projeto (qual orçamento, prazo, etc). Para essa etapa, é fundamental ter também em mãos a planta baixa DWG e definições mais exatas possíveis da distribuição do mobiliário e o projeto definitivo de arquitetura.
  2. Projeto de aprovação (ou anteprojeto): você pode apresentar imagens inspiradoras para demonstrar mais facilmente o cliente quais referências foram buscadas. É importante sinalizar nessa etapa também que o projeto luminotécnico atende ao limite de carga de energia.
  3. Projeto de execução: aprovadas as etapas anteriores, é hora de entregar um caderno com as especificações dos itens e orientações sobre a aquisição de materiais similares, a fim de não comprometer o resultado final com itens que fujam das características concebidas.
  4. Assistência na execução da obra: é uma etapa importante para garantir que o detalhamento previsto saia do papel e se incorpore à obra. Nessa etapa, podem surgir imprevistos que irão demandar um olhar especializado (por isso, é fundamental o acompanhamento).

De acordo com Feldman, esses quatro blocos são sucessivos e servem para coletar informações, desenvolver estudos técnicos e emitir os produtos finais para direcionamento da obra.

O tipo de lâmpada mais adequado para cada local

Para cada cômodo existe uma lâmpada mais apropriada.

Elas estão disponíveis em diferentes cores e efeitos, portanto a sua utilização deve ser usada com cautela para não trazer desconforto. As luzes brancas se adaptam melhor nas cozinhas e nos banheiros, pois são lugares que necessitam de boa iluminação. Na sala de estar e nos quartos o ideal é uma luz amarela e que não esquente muito, para proporcionar um ambiente mais aconchegante. Nas varandas e nas áreas de lazer é possível utilizar luzes que realçam as cores naturais.

Como trata-se de um lugar de descontração, luzes coloridas também combinam. Mas lembre-se que se for um local sem cobertura as lâmpadas terão que ser resistentes às chuvas.

Os modelos disponíveis no mercado

Iluminação difusa

A iluminação difusa é a mais utilizada. É aquela em que a lâmpada fica disposta no centro do teto e ilumina todo o ambiente.

Iluminação direta

Outro modelo é a direta, quando a luz ilumina somente um determinado objeto ou superfície. É muito utilizada em salas de estudos e escritórios. Elas também dão um efeito muito sofisticado quando iluminam uma peça de decoração como uma planta, por exemplo.

Iluminação indireta

O último tipo é a indireta, quando a luz é focada para uma superfície, como o teto de gesso, sendo que a luz se expande de forma sutil, iluminando o resto do cômodo.

A importância da luz natural no projeto luminotécnico

A utilização da iluminação natural além de produzir um ambiente mais confortável, ajuda a economizar energia, diminui o cansaço ocular e contribui para um clima mais fresco e saudável. Uma dica para aumentar a incidência da luz natural é não posicionar os móveis em locais que bloqueiam as janelas e optar por cores mais claras na hora de escolher o mobiliário. O uso de espelhos em frente as janelas é uma boa opção, pois reflete a luz que vem de fora. Durante o dia utiliza-se a luz natural e a noite utiliza-se um sistema de luzes artificiais, criando uma integração bastante favorável entre esses dois tipos de iluminação.

Projeto luminotécnico como oportunidade profissional

"Vale ressaltar que até chegar ao projeto executivo há várias aprovações junto ao cliente, para que garanta o alinhamento feito na primeira etapa, para materializar o anseio dele e as ideias trazidas por você", alerta o professor.

Muito além dos ganhos que você pode trazer ao seu portfólio, procurar uma especialização em projeto luminotécnico pode também ser um diferencial na prospecção de novos clientes (aumentando a área de atuação).

Lembre-se: os bons ventos no setor da construção civil sinalizam a necessidade para você estar já preparado para o crescimento que a área deve ter nesses próximos anos (após amargar um período de retração).

Agora que você já viu o que deve ser levado em consideração na hora de realizar um projeto luminotécnico, aproveite e confira o nosso post sobre 6 coisas que todo gestor de projetos de sucesso deve saber! Design de Interiores